Crônica: Conselhos

Resolvi fazer uma lista das coisas que gostaria de dizer a mim mesmo. Se pudesse escolher cinco conselhos para levar uma vida mais leve e plena gostaria de poder escutá-los.

Seja paciente com seus ciclos. Viver é como andar em uma montanha russa  as vezes estamos por cima e as vezes por baixo. Muitas vezes a vida nos vira do avesso, inverte nossas certezas e somos convidados a nos reinventar. Ser tolerante com nossos defeitos, nossos momentos de confusão e as nossas crises a fim de respeitarmos o nosso próprio tempo. Ser paciente com a gente mesmo implica em aceitar que todas as fases são necessárias para poder florescer.

Aprender a ser resiliente.  Por mais tempestades que possamos passar é preciso aprender a dançar na chuva.  Ter flexibilidade para poder para se adaptar ao que a realidade nos provoca. Conseguir criar novos coloridos a fim de poder continuar existindo.  A vida irá nos provocar o tempo todo testando os nossos limites e nos levando muitas vezes ao extremo. Mas, aprender a não fazer tempestades em tampinhas de refrigerante e sim surfar sobre os problemas. Ter resiliência deveria ser o item básico de sobrevivência a fim de tornamos mais flexíveis.

Desenvolver o nosso amor próprio. Ele é o combustível que nos fará construir a capacidade da empatia. Aprender a cuidar do nosso corpo e da nossa mente é investir em autoconhecimento. Aprender o que gostamos, o que nos faz sentir plenos e também aquilo que não apreciamos nos leva a uma  maior compressão do que somos. Amar a nós mesmos faz que aprendamos a gostar da nossa própria companhia e a nos sentir confortáveis com a gente mesmo. O que faz que nos tornemos seres mais integrados e menos suscetíveis a depositar todas nossas expectativas nas outras pessoas. Quando estamos munidos por amor próprio podemos complementar o outro e não completar
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Seja autêntico. Aprenda a ser a melhor versão de si mesmo. Não se contente em ser como alguém, mas sim investir em ser alguém único.  Sem receio de ser diferente ou criar novas tendências. Explore todos os seus lados a fim  de cada a dia você possa evoluir. Tenha consciência que você é único e repleto de uma infinidade de possibilidades. Invista  seus talentos sem medo de agradar ou fracassar. Ter autenticidade é saber que cada  um é um universo esperando para ser explorado.

O último conselho é ter criatividade.  Ela é a ferramenta poderosa para que se possa existir de uma maneira mais plena e equilibrada.  Para ser criativo é preciso aceitar que a única certeza da vida é a mudança. Tudo muda o tempo todo e é preciso aprender a criar novos caminhos, traçar novas metas e planejar novas soluções.  Reinventar é preciso para poder estar sempre se adaptando ao que a vida vai nos surpreendendo. A vida é saber conviver com as escolhas e suas consequências, mas principalmente aprender a ter criatividade para lidar com que irá surgindo.

Essa é a minha lista de cinco conselhos que eu daria a mim mesma. Com eles seria possível levar uma existência mais crocante e colorida. Talvez o segredo da vida seja ter mais paciência, aprender a ser resiliente,  investir em amor próprio, desenvolver a autenticidade e abusar da criatividade

Crônica: As fugas de Amélie Poulain





Para quem conhece sabe que eu tenho três gatinhos Pandora, Charles Chaplin e Amélie Poulain. Esta última já nos deu vários sustos. Até entender que na realidade ela gosta mesmo é de se esconder.

A primeira vez que ela sumiu foi quando fui visitar a minha avó. A Amélie tinha por volta de seis meses e na época ainda dava para levar ela para passear na caixinha. De repente no meio da visita, ela sumiu. Havia inúmeros lugares pelas quais ela poderia ter se escondido, mas aparentemente nenhum deles era o esconderijo.  Foram horas de busca, até que simplesmente havíamos nos convencido que ela havia fugido.  Foi quando ao tardar da noite, minha avô junto com a sua cuidadora começaram a escutar miados que vinham de dentro da poltrona. O mistério é que a poltrona tem um fundo falso onde um gato filhote pode se aconchegar tranquilamente.

A segunda vez que a Amélie sumiu foi em uma visita na casa dos meus sogros.  Nesta época tanto o Chaplin quanto a Amélie eram filhotes e a gente os levava para passear. Tudo isso dentro da casinha e deixando um espaço para eles circularem de forma tranquila porém segura.  O ambiente que estávamos era uma casa de dois pisos e de repente a gente se deu conta que a Amélie estava fora da nossa vista, foi uma hora de pleno pavor. Rondas na vizinhança, vasculhar toda casa, procurar por todos esconderijos possíveis e nada.  Foi quando a minha sogra notou o closet dessatumada e lá estava ela dentro de uma gaveta como se nada tivesse acontecido.

A terceira vez foi no prédio antigo onde eu e meu namorado morávamos. O apartamento era pequeno e se a gente se descuidasse os gatos tinham chance de sair sem que a gente possa perceber. Foi numa dessas  que a Amélie passou uma tarde inteira na cobertura do prédio. Demos muita sorte dela não ter ficado circulando o que com certeza teria acarretado na sua fuga.

A quarta vez que a Amélie sumiu foi agora recentemente.  Passei o dia fora de casa e quando retornei não a encontrava em lugar algum.  Nem eu e nem o meu namorado nos lembrávamos de quando havia sido a última vez que havíamos a visto. Foram voltas na quadra, a averiguação no prédio,  revirar todo apartamento e nenhum sinal dela.  Já tarde da noite nos demos por vencidos e resolvemos que na parte da manhã iriamos reiniciar as buscas. De  repente fui dormir e comecei a escutar sons de garrinhas vindo do armário. Todo este tempo ela estava escondida dentro do armário.

Entre tantos sustos e fugas, um amor incondicional  pela nossa gatinha cinza de olhos esverdeados. Cada gato tem sua história, sua personalidade e seu jeito único de ser. Eles podem até nos dar sustos, mas vale  a pena.

Resenha: Mas tem que ser mesmo para sempre? Sophie Kinsella


De uma forma divertida, Sophie Kinsella nos mostra que as pessoas que mais conhecemos são aquelas que também mais podem nos surpreender. Juntos há dez anos, Sylvie e Dan compartilham todas as características de uma vida feliz: uma bela casa, bons empregos, duas filhas lindas, além de um relacionamento tão simbiótico que eles nem chegam a completar suas frases – um sempre termina a fala do outro. No entanto, quando os dois vão ao médico um dia, ouvem que sua saúde é tão boa que provavelmente vão viver mais uns 68 anos juntos... e é aí que o pânico se instala. Eles nunca imaginaram que o “até que a morte nos separe” pudesse significar sete décadas de convivência. Em nome da sobrevivência do casamento, eles rapidamente bolam um plano para manter acesa a chama da paixão: de um jeito criativo e dinâmico, passam a fazer pequenas surpresas mútuas, a fim de que seus anos (extras) juntos nunca se tornem um tédio. Porém, assim que o Projeto Surpresa é colocado em prática, contratempos acontecem e segredos vêm à tona, o que ameaça sua relação aparentemente inabalável. Quando um escândalo do passado é revelado e algumas importantes verdades não ditas são questionadas, os dois – que antes tinham certeza de se conhecerem melhor do que ninguém – começam a se perguntar: Quem é essa pessoa de verdade?...”. Um livro espirituoso e emocionante que esmiúça os meandros do casamento e que demonstra como aqueles que amamos e achamos que conhecemos muito bem são os que mais podem nos surpreender

Sou uma leitora voraz de Sophie Kinsella há muito tempo. Sou apaixonada pelas suas personagens femininas engraçadas, fortes e determinadas.  A autora consegue traduzir cenas de uma forma tão real que chega ser quase palpável a experiência de estar submerso dentro da trama. Dona de uma vasta experiência do gênero chick-lit pede uma leitura leve, engraçada, porém profunda.

A nossa protagonista é Sylvie, uma mulher muito bem casada, um casamento que parece ser dos sonhos.. Mãe de gêmeas, trabalha em uma galeira de arte e sua vida parece até perfeita demais, A sua relação parece ter saído de alguma  trama do cinema. Eles se comunicam pelo olhar, sabem os gostos e tem uma sintonia muito grande. Tudo parece mudar quando decidem ir ao médico juntos e há relevação que eles viverão mais 68 anos juntos. O que fazer com esses anos?  O que fazer para o amor perdurar? De que forma continuarão conectados? São assolados por inúmeras dúvidas que farão se questionar o seu casamento.

Aqui Sophie Kinsella nos traz uma protagonista adulta com dilemas em seu casamento,. Mostra toda a trama envolvendo um relacionamento já consolidado e de que forma ele poderá ou não perpetuar. Com alguns segredos envolvidos, uma porção de surpresas traz ao leitor gargalhadas e ao mesmo tempo reflexões. Fique me questionando a respeito da longevidade e da existência como um todo. A forma como a autora introduz de forma deliciada e quase sútil temas relacionados a finitude da vida, o transcorrer de um relacionamento, a perda de pessoas próximas nos traz uma delicadeza e ao mesmo uma profundidade do tema.

Para saber mais se Dan e Sylvie irão ou não consertar o seu casamento. Para descobrir mais sobre os segredos envolvendo esta trama deliciosa é necessário correr para comprar seu exemplar e devorar esta história.