1997-2011-2016-2023

 De 2016 para cá aconteceram muitas coisas. Em 2016 tive meu último trabalho publicado com o livro Drops de Menta. Um copilado de crônicas antes escritas no blog Carpinteiros do Universo e outras inéditas. De lá para cá tantas cosias aconteceram que foram me afastando da arte da escrita.

 Desde os sete anos queria ser escritora. Sempre me abriguei nos livros, querendo vivenciar as tramas, histórias, me apaixonando pelos personagens. Preferia a minha imaginação, usar a minha criatividade sem limites do que ter que lidar com a dura realidade. Mas desde os onze anos quando comecei de fato a escrever de forma autoral usando o meu olhar sob a realidade, sabia que está me impactava.  Sem conseguir compreender as desigualdades sociais as discriminações e os porquês dos mentirosos sempre se deram bem. Eu era apenas uma menina com uma imaginação ilimitada, sonhos quase utópicos e uma vontade visceral de mudar o mundo. Ela cresceu e foi sendo massacrada por seus próprios demônios e fantasmas de estimação. Monstros internos se misturando com os acontecimentos que atropelavam. Perdas, desamores, decepções, corações partidos, partir corações, recomeços e escombros. Um jogo de luzes e sombras muitas vezes perverso. A menina que queria mudar o mundo conheceu as trevas e seu olhar ficou nublado como nuvens de tempestade.

Desde 2016 ela vem lutando para manter o mínimo de sanidade mental misturada com alguns momentos de insanidade. A depressão fez morada ao mesmo tempo que era atingida por inúmeros momentos de euforia. A corda bamba de estar alegre e triste ao mesmo tempo.  Inúmeras tentativas de continuar sobrevivendo, neste processo passei a negar o que nasci para ser. Mas quando a gente nega a nossa existência a gente vai se perdendo da gente mesmo. Nestas esquinas, curvas tempestades fui me perdendo, mas sabia que deveria retornar ao que sempre fui. Essa mistura de poeta, utópica, sonhadora, vontade danada de mudar o mundo começando a partir de si mesma. Sabia que precisava falar sobre o que havia vivido, compartilhar meus momentos de confusão a fim de quem estiver vivenciando coisas parecidas se sinta menos só. Como diria Belchior, mestre da minha alma, sofri demais, chorei demais e morri tantas vezes. Mas agora decidi recomeçar, preciso da escrita para me libertar, para me aproximar de mim mesma a fim de que eu seja a versão que sempre quis ser e não a que me moldaram.

Foi quando compreendi os meus monstros e minhas culpas de estimação foi que entendi que eles vão existir, mas não sou mais refém. Pode transformar isso em poesia, crônica e verso. Depois de 2016 em 2022 decidi dedicar para uma amiga o meu livro Drops de Menta. Ela acabou mostrando para vários colegas e amigos, para minha surpresa as pessoas se identificaram e despertaram em mim a gana e vontade de realizar o que realmente vim para terra como propósito. Sou predestinada a contar a minha história, contar histórias e quem sabe fazer história. Quero contar da minha estrada e do que me trouxe aqui para recomeçar. Tenho mais cicatrizes do que em 2016. Tenho mais medo do que em 2016. Tenho mais mágoas, mas também tenho mais esperança. Hoje quero lutar pela minha vida por mais que ela seja dura, de viés, nos vire do avesso e arranque toda hora nossas certezas. Talvez essa bagunça tipo uma dança das cadeiras faz que a vida seja mágica, insana, mas que não nos falte amor e bom humor. 

De 2016 para cá aprendi a amar sem posse. De 2016 para cá vivo um grande amor baseado em liberdade, democracia e individualidade. Sou mãe de 6 gatos e de tantos outros animais deste mundo afora. Invisto em autoconhecimento como principal ferramenta para sobrevivência. Hoje imponho as minhas ideias a respeito do mundo do que vejo, percebo e quero modificar. Não me calo frente as injustiças, prefiro dar minha opinião do que ficar encima do muro. De 2016 para cá me sinto mais fragmentada, mas pronta para colar os caquinhos sempre que for necessário.  Em 2023 prometo crônicas que misturam a menina de sete anos que queria ser escritora, a adolescente de 11 anos que usava a escrita para suportar a realidade e agora a adulta que ainda quer ser apenas uma carpinteira do universo que ainda quer consertar o que parece não ter conserto,


Vamos juntos?

Crônica: Conselhos

Resolvi fazer uma lista das coisas que gostaria de dizer a mim mesmo. Se pudesse escolher cinco conselhos para levar uma vida mais leve e plena gostaria de poder escutá-los.

Seja paciente com seus ciclos. Viver é como andar em uma montanha russa  as vezes estamos por cima e as vezes por baixo. Muitas vezes a vida nos vira do avesso, inverte nossas certezas e somos convidados a nos reinventar. Ser tolerante com nossos defeitos, nossos momentos de confusão e as nossas crises a fim de respeitarmos o nosso próprio tempo. Ser paciente com a gente mesmo implica em aceitar que todas as fases são necessárias para poder florescer.

Aprender a ser resiliente.  Por mais tempestades que possamos passar é preciso aprender a dançar na chuva.  Ter flexibilidade para poder para se adaptar ao que a realidade nos provoca. Conseguir criar novos coloridos a fim de poder continuar existindo.  A vida irá nos provocar o tempo todo testando os nossos limites e nos levando muitas vezes ao extremo. Mas, aprender a não fazer tempestades em tampinhas de refrigerante e sim surfar sobre os problemas. Ter resiliência deveria ser o item básico de sobrevivência a fim de tornamos mais flexíveis.

Desenvolver o nosso amor próprio. Ele é o combustível que nos fará construir a capacidade da empatia. Aprender a cuidar do nosso corpo e da nossa mente é investir em autoconhecimento. Aprender o que gostamos, o que nos faz sentir plenos e também aquilo que não apreciamos nos leva a uma  maior compressão do que somos. Amar a nós mesmos faz que aprendamos a gostar da nossa própria companhia e a nos sentir confortáveis com a gente mesmo. O que faz que nos tornemos seres mais integrados e menos suscetíveis a depositar todas nossas expectativas nas outras pessoas. Quando estamos munidos por amor próprio podemos complementar o outro e não completar
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Seja autêntico. Aprenda a ser a melhor versão de si mesmo. Não se contente em ser como alguém, mas sim investir em ser alguém único.  Sem receio de ser diferente ou criar novas tendências. Explore todos os seus lados a fim  de cada a dia você possa evoluir. Tenha consciência que você é único e repleto de uma infinidade de possibilidades. Invista  seus talentos sem medo de agradar ou fracassar. Ter autenticidade é saber que cada  um é um universo esperando para ser explorado.

O último conselho é ter criatividade.  Ela é a ferramenta poderosa para que se possa existir de uma maneira mais plena e equilibrada.  Para ser criativo é preciso aceitar que a única certeza da vida é a mudança. Tudo muda o tempo todo e é preciso aprender a criar novos caminhos, traçar novas metas e planejar novas soluções.  Reinventar é preciso para poder estar sempre se adaptando ao que a vida vai nos surpreendendo. A vida é saber conviver com as escolhas e suas consequências, mas principalmente aprender a ter criatividade para lidar com que irá surgindo.

Essa é a minha lista de cinco conselhos que eu daria a mim mesma. Com eles seria possível levar uma existência mais crocante e colorida. Talvez o segredo da vida seja ter mais paciência, aprender a ser resiliente,  investir em amor próprio, desenvolver a autenticidade e abusar da criatividade

Crônica: As fugas de Amélie Poulain





Para quem conhece sabe que eu tenho três gatinhos Pandora, Charles Chaplin e Amélie Poulain. Esta última já nos deu vários sustos. Até entender que na realidade ela gosta mesmo é de se esconder.

A primeira vez que ela sumiu foi quando fui visitar a minha avó. A Amélie tinha por volta de seis meses e na época ainda dava para levar ela para passear na caixinha. De repente no meio da visita, ela sumiu. Havia inúmeros lugares pelas quais ela poderia ter se escondido, mas aparentemente nenhum deles era o esconderijo.  Foram horas de busca, até que simplesmente havíamos nos convencido que ela havia fugido.  Foi quando ao tardar da noite, minha avô junto com a sua cuidadora começaram a escutar miados que vinham de dentro da poltrona. O mistério é que a poltrona tem um fundo falso onde um gato filhote pode se aconchegar tranquilamente.

A segunda vez que a Amélie sumiu foi em uma visita na casa dos meus sogros.  Nesta época tanto o Chaplin quanto a Amélie eram filhotes e a gente os levava para passear. Tudo isso dentro da casinha e deixando um espaço para eles circularem de forma tranquila porém segura.  O ambiente que estávamos era uma casa de dois pisos e de repente a gente se deu conta que a Amélie estava fora da nossa vista, foi uma hora de pleno pavor. Rondas na vizinhança, vasculhar toda casa, procurar por todos esconderijos possíveis e nada.  Foi quando a minha sogra notou o closet dessatumada e lá estava ela dentro de uma gaveta como se nada tivesse acontecido.

A terceira vez foi no prédio antigo onde eu e meu namorado morávamos. O apartamento era pequeno e se a gente se descuidasse os gatos tinham chance de sair sem que a gente possa perceber. Foi numa dessas  que a Amélie passou uma tarde inteira na cobertura do prédio. Demos muita sorte dela não ter ficado circulando o que com certeza teria acarretado na sua fuga.

A quarta vez que a Amélie sumiu foi agora recentemente.  Passei o dia fora de casa e quando retornei não a encontrava em lugar algum.  Nem eu e nem o meu namorado nos lembrávamos de quando havia sido a última vez que havíamos a visto. Foram voltas na quadra, a averiguação no prédio,  revirar todo apartamento e nenhum sinal dela.  Já tarde da noite nos demos por vencidos e resolvemos que na parte da manhã iriamos reiniciar as buscas. De  repente fui dormir e comecei a escutar sons de garrinhas vindo do armário. Todo este tempo ela estava escondida dentro do armário.

Entre tantos sustos e fugas, um amor incondicional  pela nossa gatinha cinza de olhos esverdeados. Cada gato tem sua história, sua personalidade e seu jeito único de ser. Eles podem até nos dar sustos, mas vale  a pena.

Resenha: Mas tem que ser mesmo para sempre? Sophie Kinsella


De uma forma divertida, Sophie Kinsella nos mostra que as pessoas que mais conhecemos são aquelas que também mais podem nos surpreender. Juntos há dez anos, Sylvie e Dan compartilham todas as características de uma vida feliz: uma bela casa, bons empregos, duas filhas lindas, além de um relacionamento tão simbiótico que eles nem chegam a completar suas frases – um sempre termina a fala do outro. No entanto, quando os dois vão ao médico um dia, ouvem que sua saúde é tão boa que provavelmente vão viver mais uns 68 anos juntos... e é aí que o pânico se instala. Eles nunca imaginaram que o “até que a morte nos separe” pudesse significar sete décadas de convivência. Em nome da sobrevivência do casamento, eles rapidamente bolam um plano para manter acesa a chama da paixão: de um jeito criativo e dinâmico, passam a fazer pequenas surpresas mútuas, a fim de que seus anos (extras) juntos nunca se tornem um tédio. Porém, assim que o Projeto Surpresa é colocado em prática, contratempos acontecem e segredos vêm à tona, o que ameaça sua relação aparentemente inabalável. Quando um escândalo do passado é revelado e algumas importantes verdades não ditas são questionadas, os dois – que antes tinham certeza de se conhecerem melhor do que ninguém – começam a se perguntar: Quem é essa pessoa de verdade?...”. Um livro espirituoso e emocionante que esmiúça os meandros do casamento e que demonstra como aqueles que amamos e achamos que conhecemos muito bem são os que mais podem nos surpreender

Sou uma leitora voraz de Sophie Kinsella há muito tempo. Sou apaixonada pelas suas personagens femininas engraçadas, fortes e determinadas.  A autora consegue traduzir cenas de uma forma tão real que chega ser quase palpável a experiência de estar submerso dentro da trama. Dona de uma vasta experiência do gênero chick-lit pede uma leitura leve, engraçada, porém profunda.

A nossa protagonista é Sylvie, uma mulher muito bem casada, um casamento que parece ser dos sonhos.. Mãe de gêmeas, trabalha em uma galeira de arte e sua vida parece até perfeita demais, A sua relação parece ter saído de alguma  trama do cinema. Eles se comunicam pelo olhar, sabem os gostos e tem uma sintonia muito grande. Tudo parece mudar quando decidem ir ao médico juntos e há relevação que eles viverão mais 68 anos juntos. O que fazer com esses anos?  O que fazer para o amor perdurar? De que forma continuarão conectados? São assolados por inúmeras dúvidas que farão se questionar o seu casamento.

Aqui Sophie Kinsella nos traz uma protagonista adulta com dilemas em seu casamento,. Mostra toda a trama envolvendo um relacionamento já consolidado e de que forma ele poderá ou não perpetuar. Com alguns segredos envolvidos, uma porção de surpresas traz ao leitor gargalhadas e ao mesmo tempo reflexões. Fique me questionando a respeito da longevidade e da existência como um todo. A forma como a autora introduz de forma deliciada e quase sútil temas relacionados a finitude da vida, o transcorrer de um relacionamento, a perda de pessoas próximas nos traz uma delicadeza e ao mesmo uma profundidade do tema.

Para saber mais se Dan e Sylvie irão ou não consertar o seu casamento. Para descobrir mais sobre os segredos envolvendo esta trama deliciosa é necessário correr para comprar seu exemplar e devorar esta história. 

Dando um tempo/ Marian Keyes

Dando um tempo/ Marian Keyes




Hojs vamos falar de uma das minhas escritoras favoritas Marian Keyes. Autora do livro Melancia e Férias.

Neste seu novo romance Dando um Tempo somos convidados a embarcar no universo de Amy. Um mulher de quarenta e poucos anos, trabalha com relações públicas, tem três adolescentes sob seus cuidados e um casamento aparentemente sólido.

Seu mundo irá virar de ponta cabeça quando seu marido resolve dar um tempo e passar seis meses viajando. A pergunta que fica: será que ele vai voltar? Será que Amy vai esperar? Será que o casamento ira sobreviver? O chão parece se abrir sob seus pés e ela sente seu mundo ruir. Mas com a ajuda da família e principalmente com sua força interior ela irá driblar este momento de confusão.

O livro todo você fica na expectativa se Hugh irá voltar e se ele voltar como as coisas irão ficar? Nesta pausa do casamento dá para se envolver com outras pessoas? Quais são as regras ou será que elas existem? Muitas perguntas que só serão dissolvidas durante a trama.

Com cenas hilariantes, ótima trama e personagens bem construídos o leitor é convidado a se deliciar com essa trama repleta de reviravoltas. O livro rende boas risadas, mas também faz refletir sobre as nossas escolhas e como elas podem impactar o desenrolar da nossa vida.

Ficou curioso? Então venha se aventurar pelo mundo de Amy e Hugh.

Minha opinião

Sou suspeita para falar de Marian Keyes já que sou devoradora de seus livros há muito tempo. Esta paixão começou no final da minha adolescência quando me debrucei sob Melancia. Todas as história dela trazem personagens femininas fortes que é impossível não se apaixonar ou se identificar com alguma delas. Mas este livro em particular ele te emociona, te questiona e te provoca a refletir sobre temas pouco abordados tanto na mídia quanto na literatura. Sem dar spoiler, mas dando a dica para quem quiser ler, o tema faz a gente refletir sobre nossos corpos e nossas escolhas. A trama entre Amy e Hugh irá provocar raiva em muitos momentos, pena em alguns e em outros você irá ficar torcendo como jogador de futebol. O livro traz muitas questões de autoconhecimento e superação. Faz refletir sobre diversos temas casamento, luto, relações familiares e escolhas. Em alguns momento você irá odiar Hugh, depois vai passar a compreender. Vai rir e chorar com a nossa protagonista. Por fim o melhor é que não se trata apenas de um livro de romance, mas sim uma provocação necessária para temas atuais que precisam ganhar espaço.

Resenha do Livro Menina de Vinte- Sophie Kinsella





Um pouco sobre Sophie Kinsella

Hoje vou falar um pouco sobre umas minhas autores prediletas, Sophie Kinsella. Uma das principais autores do gênero chick-lit,  uma das principais características  é ter uma protagonista feminina e relatar questões do cotidiano tendo como cenário o mundo moderno. Tendo como base romances leves e situações cômicas.

Um pouco da sua biografia

Sophie Kinsella nasceu em Londres e era jornalista de economia com especialização na área financeira. Aos 24 anos publicou seu primeiro livro, mas usando outro nome, Medeleine Wickham. Ainda publico seis livros levando este nome,  mas em 2000 começou a usar seu verdadeiro nome, publicando os Deliríos de Consumo de Becky Bloom. Em 2009 foi lançado o filme baseado neste livro.  Os seus livros foram traduzidos em diversas parte do mundo e ela com certeza é uma das mais reverenciadas autorsas do gênero chick-lt.  Hoje vou trazer a resenha de um dos livros desta autoras, Menina de Vinte.

Menina de Vinte

Sinopse

Lara Lington sempre teve uma imaginação fértil. Agora ela começa a se perguntar se está ficando maluca de vez. Meninas normais de vinte poucos anos não veem fantasmas, né? Pelo menos era o que ela pensava até o espírito da tia-avó Sadie, que foi uma jovem dançarina de Charleston com ideias avançadas sobre moda e amor, aparecer misteriosamente com um último pedido: Lara precisa localizar um colar que foi dela por mais de 75 anos. Só assim tia Sadie poderá descansar em paz. Além de encontrar a joia, Lara tem que lidar com probleminhas do dia a dia: a sócia foi curtir um romance em Goa, sua empresa está afundando e ela acabou de ser abandonada pelo homem “perfeito”. Nesta divertida história, Lara e Sadie são duas meninas de vinte bem diferentes que vão aprender a importância dos laços familiares e da amizade.

Resenha

O livro te prende desde o começo.  É divertido, leve e ao menos tempo envolvente.  Somos apresentados a Sadie, tia avó de Lara que toma a vida de um fantasma. No começo ela parece bem irritante e por vezes você fica com raiva de Lara também. Pelas atitudes, decisões e ideias de ambas. Mas ao decorrer do livro você vai se encantando pelas duas e criando afeição.  Enquanto os laços entre Sadie e Lara iam se estreitando o livro vai criando laço com o leitor. As situações que ambas passam são hilárias e a busca pelo tal colar são tão irreverentes que ficam impossível não ter ataques de risos.

O livro é completo ele mescla humor, romance e mistério. Aborda questões familiares sempre tendo um toque especial. Ao final do livro é impossível não se emocionar. Aborda de forma sutil a questão da velhice, da situação dos asilos e como é envelhecer.  Uma das coisas mais bacanas do livro é a fusão dos dias atuais com a década de 20. A questão da moda,  dos costumes, dos galanteios e  da forma como se diverte. O leitor é convidado  a viajar no universo dos anos 20 ficando até com uma vontade de embarcar de vez neste universo.

O romance neste livro não é o foco principal. Ele aparece de forma sutil, mas ser o protagonista da história. O que se torna o foco é a relação de Lara e Sadie. Este toma palco e traz a tona um cenário de magia, surpresas  e reviravoltas. Você irá se apaixonar por esta dupla capaz de te levar as lagrimas e aos risos em  poucas páginas. Para quem procura uma leitura leve porém, cativante este é o livro certo.  É um dos meus livros prediletos desta autora, já o reli duas vezes e quem sabe haverá uma terceira vez.

Ao embarcar em uma relação, desnude sua alma




Que bom seria se a gente pudesse se vestir da gente mesmo e nada mais. Despido de mecanismos de defesa, frases de efeito e sacadas inteligentes.
Tudo seria bem mais simples se a gente pudesse simplesmente desfilar por aí. Com as nossas manias defeitos, deslizes e avessos. Poder tirar toda a pose de bom moço e deixar vir à tona as nossas humanidades. Seria tão bom poder falar abertamente sobre o que somos realmente. Os medos, as crises e as ansiedades.
Que bom seria se ao fazer um novo amigo a gente simplesmente pudesse falar a verdade. Colocar as bagagens repletas de memória em voga. Mas o que acontece normalmente é que temos medo do julgamento, com isso recuamos. Mostramos apenas as partes bonitas e deixamos omitida boa parte da história. O que pode fazer que consigamos amigos, mas sempre teremos algo para ocultar.
Acredito que todos nós temos segredos e se revelar despido deles é uma tarefa além de árdua, exige coragem. Mostrar como realmente somos para nós mesmos pode ser um desafio, o que dirá para as outras pessoas.
Gostaria de um mundo repleto de conversas de almas despidas. Sem receio de se mostrar em toda sua humanidade

Resenha: Tudo aquilo que eu não disse




Sinopse

A vida da doce Tina Craig parece estar destinada a mesmice dos anos 70: ela vive presa em um casamento infeliz com um marido problemático. Isso desafia Tina a unir todas as suas forças para sair desse abismo e finalmente conquistar a paz de espírito que ela tanto quer. Seu destino toma um rumo diferente quando ela encontra uma carta escrita em setembro de 1939. A carta, que nunca chegou ao destino certo, lhe traz uma nova esperança, um alento para o seu coração tão maltratado. Tudo muda de figura quando a vida de Tina se choca com os destinos do casal Billy e Chrissie, trazendo William, um jovem em busca de sua mãe biológica, para sua jornada por conta de um mero acaso.

Resenha

   O que me chamou a atenção de cara foi a capa do livro  e o título despertam curiosidade. Um livro que mescla o passado e o presente trazendo a toma a vida de duas mulheres com o mesmo nome. A Christina de 1973 vive um relacionamento abusivo. Como muitas mulheres que sofrem agressões do marido e ao mesmo tempo se agarram a esperança que as coisas mudem. A sua vida sofre uma reviravolta quando encontra no bolso de um paletó um envelope fechado destinado a uma Christina. Intrigada em saber o porque aquela carta nunca fora entregue, resolve deixar de lado seus problemas a fim de se deter em entregar a carta ao seu destino.  O que ela não vai esperar que isso poderá afetar a sua vida para sempre.

  O leitor é apresentado a Christina de 1939. Uma moça que trabalha para o pai que é médico a auxilia a mãe que é parteira. Mas seu pai é extremamente rígido e não aceita o namoro da filha com Billy. Com isso a segunda guerra se aproxima podendo separar este casal. O namoro deles é bonito e repleto de romance e promessas, mas irá sofrer inúmeras reviravoltas. O destino reserva inúmeras surpresas.

  Um livro que prende a leitura. Mescla de forma clara e concisa o poder das palavras e o  quanto um mal entendido pode fazer que a vida das pessoas seja afetada.  Uma carta não entregue muda completamente o destino e afeta o curso da história.  Faz que muitas coisas ficassem pelo caminho , mas de repente a vida traz uma boa surpresa e faz que o desfecho possa ser diferente. 

  Com uma construção bem elaborada dos tempos, mesclando o passado e o presente faz que o leitor vá se envolvendo pelos personagens a fim de irmos descobrindo novas nuances. Um livro bem interessante para quem curte uma boa história de amor.



Crônica: Trem para as Estrelas




  A vida é um sopro. Vida louca,  vida breve. Ela é dura, suave, terna ou áspera dependendo da perspectiva que vivenciamos. Mas, ela passa rápido e quando nos damos conta, passou.

  A vida é real e de viés. Ela costura momentos, provoca decisões e espera por respostas.  Quando nos damos conta o tempo passou e o que restou? A amizade  incondicional, o amor sem medidas, as risadas genuínas, o toque que afaga, as palavras que consolam. O que permanece na memória não são as coisas adquiridas, os bens possuídos ou o que colecionamos ao longo da vida. O que resta são os sentimentos puros e verdadeiros, a voz que vem do coração, o afeto açucarado e a gentileza nos gestos. O  que restar é amor, que este possa transbordar e que recheie todos os momentos até o final.

   As amizades são tecidas por laços estes podem ser tecidos por sangue, afinidade ou simplesmente por querer gostar do outro.  Elas são o combustível para que os dias passem de forma mais amena, durante as tempestades sempre bom ter alguém com quem pegar na mão. Amigos são uma forma preciosa de se tocar a eternidade. Deixam a vida mais doce, branda e alegre. No final o que a gente vai lembrar é que ao lado dos nossos amigos nos sentimos em casa. Como se não precisássemos ir a nenhum outro lugar a não ser estar dentro de um abraço. Quando um amigo parte restam as lembranças das risadas ridas juntas, o afeto estendido, os momentos compartilhados e toda infinidade de sentimentos compartilhados. Por mais que alguém parta, ficará sempre um pouco do outro ali e vice versa.

  Hoje você partiu. Foi morar no trem das estrelas. Reencontrar as pessoas queridas das quais sentia tanta falta. A sua alma agora pode repousar tranquila junto com Deus. Sentirei falta da sua amizade, da sua risada, da forma como percebia o mundo e sentirei falta com certeza do carinho que sentia por mim. Talvez tenha sido uma das pessoas mais importantes que leu os meu livro e me apoiava. Sentirei sua falta, mas a amizade sempre vai restar longe ou perto.

Crônica: O Trem






  
  Pegando a inspiração da música Trem das Sete de Raul Seixas, surgiu a inspiração  para a crônica.

O Trem


  Lá vem a vida surgindo por detrás da montanha.  Vem trazendo lembranças, memórias e nostalgias. Também vem trazendo nuvens de tempestade. Ela atravessa muitas vezes como um trem desgovernado.


  Por detrás de cada sorriso sorrindo há uma história. Batalhas, lutas silenciosas, momentos coloridos e também acinzentados. Mas para embarcar não precisa  passagem e nem trazer bagagem, precisa apenas de um pouco de afeto e empatia.

  Para poder esbarrar no trem alheio é preciso gentileza, ternura e compaixão.  Quem vai chorar? Quem vai sorrir? Há sempre um trem chegando à estação. Sempre tem uma história esperando para ser escutada. Uma alma ansiando por ser tocada com gentileza.

  Enquanto a vida vai costurando e tecendo novos coloridos. O céu não é o mesmo que a gente conheceu. Tudo muda o tempo  todo. A gente muda com a vida. A vida vai mudando com a gente. Vamos esbarrando em alguns trens. Com alguns vamos formando locomotivas. Muitas vezes tudo vira do avesso e de repente se torna o lado certo.

  É preciso prestar atenção nos sinais.  Deus pode estar brincando de arquiteto. Traçando novos destinos para o nosso trem que é tecido de tudo aquilo que vivemos, sentimos e pensamos.  É preciso cuidar dos trens alheios a fim de tratar com respeito a bagagem que cada um carrega.

  E lá vem a vida atravessando. Invertendo certezas, costurando novos significados a fim de que sempre possamos nos sentir provocados a recomeçar.

Crônica: As Fases da Lua


A vida é como as fases da lua. Durante um episódio e outro vamos mudando de etapa a fim de recomeçar. Mas todas as fases da lua são importantes.

Precisamos da fase minguante. Um período mais para baixo e reflexivo. As vezes decorrem períodos mais tristes, nublados e acinzentados, mas que geram reflexão. São nestes períodos que é necessário pensar a respeito das nossas atitudes a fim de retirarmos lições.

A fase crescente é quando já nos damos conta das nossas ações e atitudes. Estamos efetivamente preparados para adquirir as ferramentas necessárias que impulsionarão as mudanças propriamente ditas. Aqui nós buscamos recursos e ferramentas que ajudarão no processo da mudança.

Na fase nova estamos já abastecidos de recursos para mudar. Aqui se inicia o processo da mudança. Colocar em cena o que aprendemos, o que mudamos e o que estamos dispostos a melhorar. Nesta etapa vamos desfilar nossos aprendizados a fim de verdadeiramente gerar mudanças. Aqui é uma oportunidade para mostrarmos o que de novo aprendemos pelo caminho.

Chegou a fase da cheia. Aqui  se encontra a plenitude e a serenidade. As coisas que gostaríamos de realizar estão sendo executadas. Como se tudo estivesse organizado. Mas temos que ter a consciência que devido as coisas que vão atravessando o nosso caminho podem nos levar a voltar para as outras fases de novo. Isso não quer dizer que estamos retrocedendo, mas sim estamos incorporando novos aprendizados. Ou seja, por mais que atingimos a fase cheia pode ser que a vida nos jogue de novo na fase minguante. Ou seja, devemos ter a consciência que sempre estaremos passando por alguma fase. Pode ser que estaremos passando por uma fase cheia em algum aspecto e estaremos ao mesmo tempo vivenciando a fase minguante em outro aspecto da nossa existência.  

A única certeza que podemos ter é a mudança de uma fase para outra sem parar. Por isso que a vida é mágica ela vai nos colocando a prova, provocando aprendizados e costurando lições. Seja qual for a fase da lua que você esteja experienciando tente tirar maior proveito dela a fim de poder evoluir.

Crônica: Saia Sozinho




Faça um favor a si mesmo vá no cinema sozinho. Faça uma viagem sozinho. Saboreie um café sozinho.  É um ato libertador e revolucionário. Nem sempre precisamos estar acompanhados. Mas temos mesmo que aprender a desfrutar da nossa própria companhia.

A primeira vez que fui ao cinema sozinha estava na adolescência por volta dos 16, levei um fora de um menino. Ele não apareceu, ao invés de ir para casa me lamentar, fui ver o filme mesmo assim. Acompanhada por uma barra de chocolate. A primeira vez que de fato apreciei a minha própria companhia. Depois disso pelo menos uma vez por mês vou ao cinema sozinha. Gosto de filmes alternativos e adoro frequentar um dos poucos cinemas de rua que ainda a minha cidade comporta.

Seja ir ao cinema. Seja tomar café  em algum lugar bacana.Seja para dar uma volta caminhando pela cidade.Seja para ficar em casa fazendo alguma coisa que realmente goste. Seja como for, cada um de nós deveria exercitar a sua própria individualidade. Aprender de verdade o que gosta de fazer sem que isso seja acompanhado por outra pessoa. Bacana ter a companhia dos outros, mas poder estar de boas com sua própria companhia é libertador. Nem sempre precisamos estar  acompanhados para nos sentirmos plenos.



Sugiro que cada um de nós eleja uma atividade para fazer sozinho. Pode ser algo extremamente simples como ir ao mercado, ou dar uma volta na quadra, mas tente fazer isso por você. Apreciar a nossa própria solidão, ou seja, poder estar a sós com nós mesmos possibilita o autoconhecimento. Já que estaremos experimentando novas formas de saber o que gostamos, não gostamos e o que podemos experimentar de novidades. Uma ferramenta poderosa para que até possamos nos sentir mais confiantes, mais donos de nós mesmos para podermos depois desfrutar da companhia dos outros.

Estou dentro de um relacionamento onde a individualidade é preservada. Temos gostos em comuns e partilhamos de momentos juntos, mas  cada de um de nós tem seu próprio espaço. Suas próprias atividades, gostos e particularidades que nem sempre são divididas. Cada um tem uma forma particular de passar o seu tempo livre, cada um tem seus passatempos e há um respeito pelo mundo do outro. Com isso, os gostos que são compartilhados  foram construídos juntos. Partilhamos de gostos em comum, mas partimos do princípio que é essencial respeitar o universo um do outro. Com isso, poder existir ao lado do outro complementando a existência e não completando.

Estar em um relacionamento assim me possibilita poder investir no meu tempo livre. Apreciar o tempo comigo mesma faz que eu consiga estar mais inteira quando estiver acompanhada. Sugiro que cada um de nós possa experienciar alguma atividade sozinho a fim de desenvolver a individualidade.

Crônica: Como tratar os transtornos mentais






 Há uma enorme dificuldade em aceitar que as “doenças da alma” realmente existam já que muitas vezes não são perceptíveis a olho nu.

  Estamos habituados a enxergar o que se pode ser visto e não o que é sentido. Somos seres materiais, com isso, somos escravos da aparência. Muitas vezes passamos a ignorar ou nos é passado despercebido o que requer profundidade e sentimento Há certo preconceito em relação ao que se passa dentro de nós. Como acreditar em uma doença que não é visível? E desta forma muitas pessoas reagem de forma negativa frente aos transtornos mentais. Vislumbrar a pessoa na sua frente sem sintomas físicos como febre, manchas pelo corpo, alergia ou qualquer outro quadro, o que parece de cara que a pessoa está normal e para isso não deveria haver alarde. 

  Nos esbarramos no defeito de não percebermos que dentro de cada um de nós há um universo inteiro. Cada um de nós é como um carpinteiro do seu próprio universo, desta forma  cada um semeia, colhe, planta de acordo com o que tem e como pode. As pessoas que são acometidas por transtornos mentais precisam de ajuda, afeto e suporte para conseguirem se tornar seus próprios protagonistas de seu universo. Já que muitas vezes este é colorido em tons acinzentados pela depressão. Outros são com cores vibrantes e daqui a pouco surgem nuvens negras como a bipolaridade. Outros os tons são abertos, efusivos e as pinceladas são aceleradas pela ansiedade.

  Provavelmente só quem convive ou já conviveu, ou presenciou um quadro de depressão, bipolaridade, ansiedade entre outros é capaz de tentar dimensionar a dor e o sofrimento que isso traz. Todas as pessoas acabam por serem atingidas de alguma forma, já que as cicatrizes são invisíveis e o pedido de ajuda pode vir no fundo de um olhar. Acredito que pessoas que já passaram por transtornos mentais ou convivem com pessoas que os tem, são capazes de praticar a mais genuína empatia. Ficar ao lado de uma pessoa que está passando uma crise. Dar afeto e consolo para a pessoa que está passando por um momento de confusão. Poder  estar simplesmente ao lado sem falar nada, mas demonstrando carinho é uma forma de conseguir encostar no mundo do outro, permear por este universo que muitas vezes se encontra bagunçado e oferecer apoio. Muitas vezes a pessoa que está passando por um momento complicado não precisa de muito, apenas um beijo, um abraço, uma palavra de solidariedade faz toda a diferença.

  Vivemos em uma sociedade que supervaloriza o externo. Damos muita atenção à aparência, fama e acabamos por esquecer ou deixar de lado a saúde mental. O ideal seria que o nosso físico, a nossa aparência estivesse em ordem, mas juntamente ou andando em conjunto com a nossa saúde mental. Deveríamos investir tanto na saúde mental quanto investimos em bens materiais. A psicoterapia deveria ser uma ferramenta essencial para todas as pessoas buscarem autoconhecimento.  Mas enquanto os sentimentos não forem valorizados pela sociedade, as doenças vindas da alma vão ser encaradas dificilmente como deveriam ser. Deveríamos investir na nossa saúde mental e a do próximo assim como investimos em carros, roupas e imóveis. Cuidar da mente e até mesmo espiritual deveria estar na nossa lista de prioridades.

  Os abismos, os labirintos da alma que passam invisíveis aos olhos abarrotados de sofrimento deveriam ser compreendidos com urgência. Não apenas tratados com medicação, mas com psicoterapia, espiritualidade e rede de apoio.  Este quadrado de opções é o que pode levar a pessoa a experienciar a vida de forma mais leve, saudável e menos dolorida.

  Depressão não é falta de vontade. Bipolaridade não é drama. Ansiedade não é frescura. Nenhuma doença mental deve ser abordada como bobagem, falta do que fazer ou puro desleixo. Ninguém escolhe ser acometido por um transtorno mental não é uma opção. A pessoa não escolhe ser assim é uma questão multifatorial, mas pode ser tratada por uma rede de apoio favorável. Esta inclui família, amigos, tratamento psiquiátrico, psicológico e diria ainda mais a espiritualidade.

Crônica: Cicatrizes




 Precisamos das nossas cicatrizes. Precisamos dos nossos deslizes para nos tornar arquitetos de nós mesmos.

 À medida que vamos vivendo teimamos em querer apagar os nossos erros. Os momentos ruins. As lembranças doloridas. Achamos que seria bem mais simples se estas coisas não tivessem existido. Mas esquecemos de que são elas que impulsionam o aprendizado. Se restar cicatriz é porque dali nasceu uma lição pronta para desabrochar e criar raízes. Se dali ficar recordações penosas é uma oportunidade para fazer diferente. Devemos nos debruçar em tudo o que nos desacomoda a fim de fazermos uma faxina interna. Ou seja, poder juntar tudo aquilo que nos atrapalha a fim de recomeçar.

 Ao invés de pensar em apagar o nosso passado. Deletar as lembranças ruins.  Esquecer os nossos erros. Deveríamos dar um novo significado para o que passou. Encontrar aprendizado para as memórias negativas. Aprender com os nossos erros. Só quem tem cicatriz sabe o que é viver já que guarda ali dentro o trajeto que fez até chegar aonde está.  O percurso para a felicidade é longo e ele é traçado todos os dias e é testado por momentos ruins, mas estes são necessários para que se possa adquirir resiliência. Poder se transformar de forma criativa diante dos momentos de crise.

 Em todo o caminho haverá tempestades, caos e dias cinzentos. Mas eles são essenciais para refletir sobre o que está acontecendo, buscar novos caminhos a fim de traçar destinos. Precisamos levar na bagagem os dias nublados, eles fazem parte da nossa história e nos lembram de como chegamos até ali. Se não fossem as crises, os deslizes, as cicatrizes  não haveria aprendizado. São as nossas partes cinzentas que possibilitam o surgimento das cores bonitas.

 Aprecie suas cicatrizes. Seja grato pelos momentos de confusão. Abrace suas crises. Seja gentil consigo mesmo a fim de poder dar tempo para que o aprendizado possa acontecer. Negar as partes cinzentas é como impedir que o arco íris venha depois da chuva

Crônica: Vinte e Nove







  Cheguei à vinte e nove primaveras. Coisas que aprendi, coisas que gostaria de esquecer.Aprendizados, lições e muitas histórias.

    Neste ano que antecedeu meu aniversário, pude realizar alguns sonhos. Consegui adotar os meus três felinos e poder ser mãe de gatos. Eles são terapêuticos, funcionam como antidepressivo  e fornecem amor incondicional.  Recomendo que cada pessoa possa pelos menos em algum momento adotar um bichinho. Sou contra a venda de animais, adotar é um ato revolucionário, simples, mas profundo. O outro sonho que realizei neste ano que passou foi o de morar sozinha. Poder trilhar a minha independência , organizar as coisas do meu jeito, construir hábitos e rotinas. Por mais que eu tenha ido morar com o meu namorado mesmo assim se tece e se constrói maneiras únicas de conviver.

  Uma das coisas que aprendi foi que toda dor vem do desejo de não sentirmos dor.  Quis desistir, peguei estradas erradas que desembocaram em abismos. Pensei em ir embora, deixar tudo de lado e não tentar mais. Vi a morte de perto, beirei o caos e vivenciei as trevas. Mas, através da fé, da minha família e das pessoas que amo pude me cercar e me armar de amor para estar munida com boas ferramentas para seguir lutando. Aprender a cuidar de mim mesma, investir na minha saúde mental  a fim de construir ferramentas mais saudáveis para existir. 

  A vida é louca, caótica ela muda nossas certezas, inverte nossas verdades e nos põe a prova quando menos esperamos. Por mais que a vida seja bagunçada, maluca e as vezes até insensata, ela é preciosa e não pode ser desperdiçada. Por mais que possa dar vontade de desistir, por mais que seja complicado seguir e por mais que a saída mais  rápida seja os pulsos. Temos que descobrir algo que faça a gente ainda acreditar que vale a pena. Encontrar motivos para seguir em frente é um dom.  Aprendi da forma mais dolorida que a vida é algo precioso que não pode ser interrompida. Por mais que haja tempestades, momentos de confusão e empecilhos,  a vida ainda assim vale a pena.

  Depois de chorar mares e rios.  Depois de lutar contra pensamentos repetitivos. Depois de enfrentar os demônios que existem apenas dentro da mente. Depois de lutar com os monstros criados por si mesma que habitam embaixo da cama. Depois de seguir em frente mesmo exausta. Depois de sorrir mesmo triste.  Descobrir que a vida pode ser colorida com cores bonitas. É possível encontrar boas energias e luz nos momentos.  Chegar aos 29 com muito mais cicatrizes, mas com mais aprendizados. Chegar até aqui com maior repertório e mais experiência.

Crônica: Pandora Banguela


  


  No começo do ano tive a oportunidade mais edificante que poderia ter, adotar um bichano. Com essa ideia, minha paciente facilitou o trabalho para mim me dando de presente um felino preto e branco com olhos esverdeados, Charles Chaplin. Em homenagem ao grande artista do qual admiro demais, achei que seu nome era propicio pelo cavanhaque e pelo charme. Alguns dias depois, veio a adoção de uma gata de pelo acinzentado e de olhos verdes amarelados a Amélie  Poulain. Para quem  não conhece o filme da qual recomendo muito, a personagem é sonhadora, romântica e idealista características que admiro  muito e das quais minha felina se esforça em ter.

  Adotar é um ato revolucionário. Poder proporcionar lar e afeto a quem estava desabrigado e muitas vezes é glorioso. Sou contra comprar animais, acredito que todos eles devem ser adotados, não se compra amor, se conquista o amor que é realizado através do ato de adoção.  Existem tantos animais abandonados precisando de um lar que seria até um ato de crueldade comprar um. Com isso, tenho pleno orgulho de dizer que adotei meus três bichanos que deixam meu aparamento  repleto de muito amor e travessuras.

   Para acabar em grande estilo e com a muito pompa, resolvi adotar mais uma felina. Pandora, gata totalmente negra dona de olhos amarelados queimados e com muita vontade de ser amada. Com seus dois meses recém feitos Pandora veio habitar o lar onde  já moram dois outros felinos para serem amigos, construírem uma família e poderem tecer lares.  Fico muito grata por poder dar lar a três felinos desamparados que  agora tecem lar, proporcionam afeto e emanam doçura. Bem –vinda Pandora que aqui você possa construir laços que forme  um família. Que o amor aqui instalado possa repercutir em gestos ternos.

                Desejo que cada pessoa possa experienciar o   ato revolucionário  de adotar um bichinho seja como ele for e aonde ele esteja. Se deixe invadir  pelo amor incondicional e pelos gestos genuínos.

Crônica: Te Perdoa





 Este ano foi marcado por mudanças arrebatadoras  e arrependimentos  intransponíveis. Com certeza se desse para pular ou apagar algumas coisas com controle remoto seria ótimo.

  Mas a vida não perdoa. Ela é densa, por vezes dura e nos atravessa de tal forma que é preciso saber costurar. Acredito que os erros que a gente comete, o pior o peso é o da consciência. Conviver  com os nossos erros exige não só aprendizado, mas saber se perdoar.
Perdoar os erros cometidos. Perdoar os deslizes.  Perdoar  os  impulsos. Perdoar a si mesmo é uma tarefa árdua que por  vezes exige muito mais do que emagrecer a consciência, exige amor próprio, autocuidado e paciência. Nem sempre é uma tarefa simples poder parar de se culpar pelo que aconteceu.

  Quando eu me perdoo, me aceito e posso transcender.  Quando me perdoo posso expandir a minha consciência. Quando me perdoo sou capaz de ampliar as perspectivas. Quando me perdoo sou capaz de me enxergar além dos meus erros para poder desenhar soluções.

  Se perdoar é um ato divino. Uma questão de entrega e de aceitação que somos humanos e pela nossa humanidade somos falhos e passíveis a erros.  Mas também somos passíveis a tentar de novo, a traçar novos caminhos e desenhar novas saídas. A maioria dos erros podem ser contornados para poder desenhar um novo desfecho.

  Aceitar os próprios erros a fim de poder recomeçar. Poder traçar novos caminhos para os erros cometidos.  Poder esvaziar as culpas a fim de transformar em ações. Todos nós erramos e nem sempre é preciso falar a respeito dos nossos erros, escancarar para o mundo nossas falhas, às vezes basta poder corrigir para si mesmo a fim de poder continuar.

Crônica: O Verdadeiro Natal



  O verdadeiro significado do Natal  deve ir além dos presentes. Pode parecer clichê, mas estamos perdendo o verdadeiro sentido das festas de final de ano.

   Queremos ter a melhor ceia de Natal com tudo que tiver de melhor para ser apreciado. Acompanhado por presentes que ganhamos e recebemos. A família está reunida, mas muitas vezes sem saber ao certo. Muitos se reúnem apenas nestas datas comemorativas, mas se esquecem de se unir ao longo do ano. Parece que nos lembramos das pessoas, compramos lembranças e fazemos questão de se reunir apenas durante esta época. Mas, esquecemos que o Natal deveria ser todos os dias.

  Lembrar-se da nossa família e dos amigos próximos. Querer reunir as pessoas que gostamos. Externar sentimentos. Compartilhar momentos. Dividir experiências. Tudo isso deveria existir ao longo de todo o ano, não apenas ser esperado para o final do ano. Com isso, não quero dizer que não seja importante comemorar o Natal e as demais festividades de final de ano, mas  este não deveria ser o único motivo para se reunir e celebrar. O melhor mesmo seria que tudo isso fosse recheado por espiritualidade.

  Desta forma, não quer dizer  que temos que seguir uma religião, mas que possamos externar a espiritualidade. Praticar a empatia pelas pessoas ao nosso redor. Ser conduzido por atos de bondade e compaixão. Dar vazão aos bons sentimentos. Conseguir tecer amor incondicional. Agir com gestos que externem fraternidade e serenidade. Ser capaz de poder ser altruísta e generoso. Deixar de lado o egoísmo, ódio, atitudes mesquinhas e toda onipotência. Se deixar guiar apenas pelo que há de bom dentro de si mesmo e mesmo que o outro não esteja preparado ou dotado das mesmas qualidades, teremos paciência e sabedoria para lidar com o outro. Isso tudo deveria existir não só no final do ano.

  O Natal deveria ser todos os dias. Os presentes deveriam ser construídos por bons sentimentos e atitudes positivas. A celebração deveria vir da vontade de estar com os outros sem pedir nada em troca.  O bom seria mesmo se a gente pudesse ser mais espiritualizado e menos cético. Acreditar que a fé que temos na vida e nas pessoas funciona como um combustível para um mundo melhor e mais humano.