Resenha: Tudo aquilo que eu não disse




Sinopse

A vida da doce Tina Craig parece estar destinada a mesmice dos anos 70: ela vive presa em um casamento infeliz com um marido problemático. Isso desafia Tina a unir todas as suas forças para sair desse abismo e finalmente conquistar a paz de espírito que ela tanto quer. Seu destino toma um rumo diferente quando ela encontra uma carta escrita em setembro de 1939. A carta, que nunca chegou ao destino certo, lhe traz uma nova esperança, um alento para o seu coração tão maltratado. Tudo muda de figura quando a vida de Tina se choca com os destinos do casal Billy e Chrissie, trazendo William, um jovem em busca de sua mãe biológica, para sua jornada por conta de um mero acaso.

Resenha

   O que me chamou a atenção de cara foi a capa do livro  e o título despertam curiosidade. Um livro que mescla o passado e o presente trazendo a toma a vida de duas mulheres com o mesmo nome. A Christina de 1973 vive um relacionamento abusivo. Como muitas mulheres que sofrem agressões do marido e ao mesmo tempo se agarram a esperança que as coisas mudem. A sua vida sofre uma reviravolta quando encontra no bolso de um paletó um envelope fechado destinado a uma Christina. Intrigada em saber o porque aquela carta nunca fora entregue, resolve deixar de lado seus problemas a fim de se deter em entregar a carta ao seu destino.  O que ela não vai esperar que isso poderá afetar a sua vida para sempre.

  O leitor é apresentado a Christina de 1939. Uma moça que trabalha para o pai que é médico a auxilia a mãe que é parteira. Mas seu pai é extremamente rígido e não aceita o namoro da filha com Billy. Com isso a segunda guerra se aproxima podendo separar este casal. O namoro deles é bonito e repleto de romance e promessas, mas irá sofrer inúmeras reviravoltas. O destino reserva inúmeras surpresas.

  Um livro que prende a leitura. Mescla de forma clara e concisa o poder das palavras e o  quanto um mal entendido pode fazer que a vida das pessoas seja afetada.  Uma carta não entregue muda completamente o destino e afeta o curso da história.  Faz que muitas coisas ficassem pelo caminho , mas de repente a vida traz uma boa surpresa e faz que o desfecho possa ser diferente. 

  Com uma construção bem elaborada dos tempos, mesclando o passado e o presente faz que o leitor vá se envolvendo pelos personagens a fim de irmos descobrindo novas nuances. Um livro bem interessante para quem curte uma boa história de amor.



Crônica: Trem para as Estrelas




  A vida é um sopro. Vida louca,  vida breve. Ela é dura, suave, terna ou áspera dependendo da perspectiva que vivenciamos. Mas, ela passa rápido e quando nos damos conta, passou.

  A vida é real e de viés. Ela costura momentos, provoca decisões e espera por respostas.  Quando nos damos conta o tempo passou e o que restou? A amizade  incondicional, o amor sem medidas, as risadas genuínas, o toque que afaga, as palavras que consolam. O que permanece na memória não são as coisas adquiridas, os bens possuídos ou o que colecionamos ao longo da vida. O que resta são os sentimentos puros e verdadeiros, a voz que vem do coração, o afeto açucarado e a gentileza nos gestos. O  que restar é amor, que este possa transbordar e que recheie todos os momentos até o final.

   As amizades são tecidas por laços estes podem ser tecidos por sangue, afinidade ou simplesmente por querer gostar do outro.  Elas são o combustível para que os dias passem de forma mais amena, durante as tempestades sempre bom ter alguém com quem pegar na mão. Amigos são uma forma preciosa de se tocar a eternidade. Deixam a vida mais doce, branda e alegre. No final o que a gente vai lembrar é que ao lado dos nossos amigos nos sentimos em casa. Como se não precisássemos ir a nenhum outro lugar a não ser estar dentro de um abraço. Quando um amigo parte restam as lembranças das risadas ridas juntas, o afeto estendido, os momentos compartilhados e toda infinidade de sentimentos compartilhados. Por mais que alguém parta, ficará sempre um pouco do outro ali e vice versa.

  Hoje você partiu. Foi morar no trem das estrelas. Reencontrar as pessoas queridas das quais sentia tanta falta. A sua alma agora pode repousar tranquila junto com Deus. Sentirei falta da sua amizade, da sua risada, da forma como percebia o mundo e sentirei falta com certeza do carinho que sentia por mim. Talvez tenha sido uma das pessoas mais importantes que leu os meu livro e me apoiava. Sentirei sua falta, mas a amizade sempre vai restar longe ou perto.

Crônica: O Trem






  
  Pegando a inspiração da música Trem das Sete de Raul Seixas, surgiu a inspiração  para a crônica.

O Trem


  Lá vem a vida surgindo por detrás da montanha.  Vem trazendo lembranças, memórias e nostalgias. Também vem trazendo nuvens de tempestade. Ela atravessa muitas vezes como um trem desgovernado.


  Por detrás de cada sorriso sorrindo há uma história. Batalhas, lutas silenciosas, momentos coloridos e também acinzentados. Mas para embarcar não precisa  passagem e nem trazer bagagem, precisa apenas de um pouco de afeto e empatia.

  Para poder esbarrar no trem alheio é preciso gentileza, ternura e compaixão.  Quem vai chorar? Quem vai sorrir? Há sempre um trem chegando à estação. Sempre tem uma história esperando para ser escutada. Uma alma ansiando por ser tocada com gentileza.

  Enquanto a vida vai costurando e tecendo novos coloridos. O céu não é o mesmo que a gente conheceu. Tudo muda o tempo  todo. A gente muda com a vida. A vida vai mudando com a gente. Vamos esbarrando em alguns trens. Com alguns vamos formando locomotivas. Muitas vezes tudo vira do avesso e de repente se torna o lado certo.

  É preciso prestar atenção nos sinais.  Deus pode estar brincando de arquiteto. Traçando novos destinos para o nosso trem que é tecido de tudo aquilo que vivemos, sentimos e pensamos.  É preciso cuidar dos trens alheios a fim de tratar com respeito a bagagem que cada um carrega.

  E lá vem a vida atravessando. Invertendo certezas, costurando novos significados a fim de que sempre possamos nos sentir provocados a recomeçar.